Sou o Marco Túlio, corretor em Uberlândia (parceiro da Torrano, CRECI/MG nº 7469). Saiu o FipeZap de julho e ele conta uma história bem direta: imóvel continua subindo, e agora está encostando na inflação do ano. Pra quem está com a compra parada esperando "melhorar", esse número merece atenção.
Resumo rápido
- O índice FipeZap subiu 0,46% em julho, quase repetindo junho (0,45%).
- No mesmo mês, o IPCA-15 (prévia da inflação) subiu só 0,06%.
- No acumulado de janeiro a julho, o FipeZap sobe 2,89%, contra 3,43% de inflação.
- A distância entre os dois caiu de 1,20 para 0,54 ponto percentual.
- Com o IPCA-15 fraco, ganhou força a aposta em novo corte da Selic, o que levaria a taxa a 14% ao ano.
Imóvel subiu quase 8 vezes mais que a inflação do mês
Esse é o dado que salta aos olhos. Em julho, os valores anunciados de venda subiram 0,46%, enquanto a prévia da inflação oficial marcou 0,06%. É o segundo mês seguido nesse ritmo, já que junho havia fechado em 0,45%.
No acumulado do ano a inflação ainda está na frente, mas a diferença está sumindo rápido. O FipeZap saiu de 2,42% no fechamento do primeiro semestre para 2,89% com o dado de julho, enquanto a inflação acumulada recuou de 3,62% para 3,43%. Ou seja, a distância entre os dois caiu de 1,20 para 0,54 ponto percentual em um único mês.
Enquanto isso, a inflação do mês foi de 0,06% (IPCA-15). O preço do imóvel não está esperando ninguém decidir.
O ranking das capitais em 2026
A média nacional esconde diferenças enormes. Vitória lidera com folga, e três capitais estão praticamente paradas ou no negativo:
| Cidade / Índice | Acumulado jan a jul |
|---|---|
| Vitória | +8,82% |
| Manaus | +8,43% |
| Aracaju | +7,00% |
| Salvador | +6,73% |
| Florianópolis | +5,50% |
| Teresina | +5,43% |
| Natal | +5,30% |
| Fortaleza | +5,04% |
| Brasília | +4,54% |
| João Pessoa | +4,45% |
| Campo Grande | +4,35% |
| Belém | +4,20% |
| Recife | +4,13% |
| Goiânia | +3,99% |
| IPCA (com IPCA-15 de julho) | +3,43% |
| Maceió | +3,42% |
| Cuiabá | +3,26% |
| São Luís | +3,16% |
| Média FipeZap | +2,89% |
| Rio de Janeiro | +2,76% |
| São Paulo | +1,70% |
| Curitiba | +0,32% |
| Belo Horizonte | +0,09% |
| Porto Alegre | -0,43% |
São Paulo e Rio, os dois maiores mercados, subiram menos que a inflação e menos que a média nacional. E Belo Horizonte, a referência mineira, está praticamente parada em +0,09%.
E em Uberlândia?
Aqui eu preciso ser honesto com você: Uberlândia não está na tabela do FipeZap. O índice acompanha capitais e algumas cidades selecionadas, e a nossa não entra nesse recorte. Então qualquer pessoa que te disser "o FipeZap mostra que Uberlândia subiu X%" está fazendo conta errada.
O que dá pra fazer é ler o índice como termômetro do país e cruzar com o que a gente vê no dia a dia da cidade. E o que eu vejo, atendendo cliente aqui toda semana, é o seguinte:
- Belo Horizonte quase parada (+0,09%) não representa Uberlândia. Capital e interior têm ciclos diferentes, e o Triângulo tem tido dinâmica própria, puxada por lançamentos do Minha Casa Minha Vida.
- Aqui o que corrige o seu saldo na planta é o INCC, não o IPCA. Quem compra imóvel em construção tem o saldo devedor corrigido pelo Índice Nacional de Custo da Construção durante a obra. É esse índice que pesa no seu bolso, não o FipeZap.
- Preço de tabela de lançamento sobe por andar e por etapa de obra. Nos empreendimentos que acompanho, a unidade do 15º andar sai mais cara que a do 1º, e a tabela é reajustada conforme a obra avança. Isso acontece independentemente do índice nacional.
- Na faixa do MCMV, o teto do programa segura o preço. É um limitador que o mercado livre não tem, e é uma das razões de o imóvel novo continuar acessível na cidade.
Traduzindo pro seu caso: se você está comprando apartamento novo em Uberlândia, o número que muda a sua vida não é o FipeZap de julho. É a tabela do empreendimento que você quer, o INCC do período de obra e a sua faixa de renda. Se quiser ver preço real e atualizado, eu tenho as tabelas na mão. É só me chamar.
E a Selic?
Como o IPCA-15 veio bem abaixo do esperado, o mercado financeiro passou a apostar em um novo corte da taxa básica, o que a levaria para 14% ao ano.
Aqui cabe um esclarecimento que eu faço direto com cliente: a Selic tem impacto limitado no financiamento habitacional, porque boa parte do crédito do setor é subsidiada e não acompanha a taxa básica de perto. Quem sente mais é a classe média e alta, que financia perto das taxas de mercado. Se você está no Minha Casa Minha Vida, a sua taxa depende principalmente da faixa de renda, não do noticiário do Copom.
O que a queda de juros faz, sim, é aquecer a demanda. E demanda aquecida com oferta apertada costuma dar em uma coisa só: preço subindo mais.
O que isso significa pra você, na prática
- Esperar preço cair não está encontrando respaldo nos dados: o índice acelera, não desacelera.
- Se juros caírem, mais gente entra no mercado e a pressão sobre o preço aumenta.
- Comprar dentro do MCMV protege você da parte mais volátil da história, porque a taxa é definida pela faixa de renda.
- O melhor momento continua sendo aquele em que a parcela cabe no seu orçamento hoje.
Se você quer parar de acompanhar índice e começar a olhar a sua conta, comece pela calculadora de alugar ou financiar e depois veja quanto costuma ser a entrada em Uberlândia.
Simular a minha parcela agora →Perguntas frequentes
Quanto os imóveis subiram em julho de 2026?
Segundo o índice FipeZap, os preços anunciados de venda de imóveis residenciais subiram 0,46% em julho de 2026, praticamente repetindo a alta de junho, que foi de 0,45%. No mesmo mês, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, avançou apenas 0,06%. No acumulado de janeiro a julho, o FipeZap sobe 2,89%.
O preço dos imóveis está subindo mais que a inflação?
No resultado mensal, sim: 0,46% do FipeZap contra 0,06% do IPCA-15 em julho. No acumulado do ano ainda não: o FipeZap sobe 2,89% contra uma inflação de 3,43% no mesmo período. A diferença entre os dois, porém, caiu de 1,20 ponto percentual para 0,54 ponto percentual, ou seja, os imóveis estão encostando na inflação.
Uma queda da Selic barateia o financiamento imobiliário?
O efeito é limitado, porque boa parte do crédito habitacional é subsidiada e não acompanha diretamente a taxa básica. Uma Selic menor tende a estimular a demanda em geral e beneficia mais as classes média e alta, cujo financiamento anda mais perto das taxas de mercado. Para quem financia dentro do Minha Casa Minha Vida, a taxa depende principalmente da faixa de renda.
Vale a pena esperar os preços caírem para comprar?
Os dados não apontam queda: apontam alta contínua, com o índice acelerando em relação à inflação. Além disso, uma eventual redução de juros tende a aquecer a demanda e pressionar ainda mais os preços. Na prática, esperar costuma custar dinheiro. O mais seguro é simular a sua parcela hoje e decidir com números reais em vez de tentar acertar o fundo do mercado.
O FipeZap mostra quanto o imóvel valorizou em Uberlândia?
Não. Uberlândia não faz parte das cidades pesquisadas pelo índice FipeZap, que acompanha capitais e algumas praças selecionadas. Belo Horizonte, que aparece na tabela com alta de 0,09% no ano, é a referência mineira mas não representa o mercado de Uberlândia, porque capital e interior têm ciclos diferentes. Para quem compra apartamento novo na cidade, os números que realmente pesam são a tabela do empreendimento, o INCC que corrige o saldo durante a obra e a faixa de renda no Minha Casa Minha Vida.
Dados do índice FipeZap referentes a julho de 2026, divulgados em 4 de agosto de 2026 e replicados pelo portal Portas. O FipeZap mede preços anunciados de venda nas cidades pesquisadas e não inclui Uberlândia entre as praças da tabela acima; o mercado local tem dinâmica própria. A comparação de julho usa o IPCA-15, que é prévia da inflação oficial. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento nem oferta de crédito.