Sou o Marco Túlio, corretor em Uberlândia (parceiro da Torrano, CRECI/MG nº 7469). Uma proposta entregue ao governo no fim de junho pode mexer bastante no Minha Casa Minha Vida, e como acompanho o programa de perto, resumi aqui o que interessa: os números exatos, quem seria beneficiado e, principalmente, se vale a pena esperar ou agir agora.
Resumo rápido: o que está na mesa
- Faixa 4 ampliada: de renda até R$ 13 mil (imóvel até R$ 600 mil) para renda até R$ 21 mil, com imóveis de até R$ 1,2 milhão. Seria a maior expansão do programa desde 2009.
- Juros da faixa 4 em degraus: em vez dos 10% ao ano atuais, 8,66% (renda até R$ 13 mil), 9,16% (até R$ 15 mil) e 10% (até R$ 21 mil).
- Juros da faixa 3 menores: dos 8,16% atuais para 6,66%, 7,16% ou 7,66% ao ano, conforme a renda.
- Tetos das faixas 1 e 2 maiores: reajuste de R$ 15 mil a R$ 25 mil no valor máximo do imóvel, conforme o porte da cidade.
- Status: é proposta em análise no Ministério das Cidades. Nada mudou ainda.
De onde veio isso
A proposta partiu das construtoras e foi encaminhada ao governo no fim de junho. Agora está nas mãos dos técnicos da Secretaria Nacional de Habitação, no Ministério das Cidades. O pano de fundo: a faixa 4, criada em 2025 para atender a classe média, não engrenou como se esperava, porque juros de 10% ao ano pesam num financiamento de 30 anos. E as famílias no piso da faixa 3, com renda perto de R$ 5 mil, também estão sentindo o aperto.
Faixa 3: os juros que podem cair
Hoje a faixa 3 atende renda de R$ 5 mil a R$ 9,6 mil com juros de 8,16% ao ano. A proposta divide em três degraus:
| Renda familiar | Juros hoje | Juros propostos |
|---|---|---|
| R$ 5.000 a R$ 6.000 | 8,16% a.a. | 6,66% a.a. |
| R$ 6.000 a R$ 7.000 | 8,16% a.a. | 7,16% a.a. |
| R$ 7.000 a R$ 9.600 | 8,16% a.a. | 7,66% a.a. |
Pela estimativa das próprias construtoras, esse corte aumentaria o poder de compra das famílias em cerca de 8%. Na prática: quem hoje aprova um imóvel de R$ 300 mil passaria a alcançar algo perto de R$ 324 mil, com a mesma renda.
Faixa 4: renda até R$ 21 mil e imóvel de até R$ 1,2 milhão
É a mudança mais ousada. A faixa 4 passaria a ter três degraus de juros e um alcance muito maior:
| Hoje | Proposta | |
|---|---|---|
| Renda máxima | R$ 13 mil | R$ 21 mil |
| Imóvel até | R$ 600 mil | R$ 1,2 milhão |
| Juros | 10% a.a. único | 8,66% (até R$ 13 mil) · 9,16% (até R$ 15 mil) · 10% (até R$ 21 mil) |
E as faixas 1 e 2 também entrariam na conta, com reajuste dos tetos de preço para compensar a inflação da construção (INCC de 14,8% acumulado desde 2023). Dependendo do porte da cidade, o valor máximo do imóvel subiria entre R$ 15 mil e R$ 25 mil. Pra entender como os tetos funcionam em Uberlândia hoje, veja o guia do teto do MCMV na cidade.
O que isso significa pra você, na prática
Se a sua renda está entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil (faixa 3): você já tem hoje juros de 8,16% e condições boas. Esperar um corte que ainda não foi aprovado, e que enfrenta resistência técnica, pode custar caro: a mesma proposta prevê reajustar os preços dos imóveis. O que eu recomendo é simular agora e decidir com números reais na mão. Comece pelo guia completo do MCMV em Uberlândia ou veja quanto é preciso ganhar pra financiar.
Se a sua renda passa de R$ 13 mil: hoje você está fora do programa, e essa proposta é exatamente sobre você. Se aprovada, imóveis de até R$ 1,2 milhão entram no jogo com juros abaixo do mercado. Aqui vale se preparar: documentação organizada e simulação pronta significam sair na frente no dia em que a regra mudar. Me chama que eu deixo o seu caso mapeado.
Se você está nas faixas 1 ou 2: a notícia boa é o possível aumento do teto, que amplia as opções de imóvel. As regras atuais você encontra no comparativo do que mudou em 2026.
Perguntas frequentes
O Minha Casa Minha Vida já aceita renda de até R$ 21 mil?
Ainda não. Hoje a faixa 4 atende renda de até R$ 13 mil, para imóveis de até R$ 600 mil. A ampliação para renda de até R$ 21 mil e imóveis de até R$ 1,2 milhão é uma proposta das construtoras que está em análise pelos técnicos do Ministério das Cidades. Se aprovada, será a maior expansão do programa desde 2009.
Os juros da faixa 3 do MCMV vão cair?
É o que está na mesa. A proposta divide a faixa 3 (renda de R$ 5 mil a R$ 9,6 mil, hoje com juros de 8,16% ao ano) em três subfaixas: 6,66% para renda de R$ 5 a 6 mil, 7,16% de R$ 6 a 7 mil e 7,66% de R$ 7 a 9,6 mil. Mas essa parte depende do conselho curador do FGTS e o governo estuda o impacto no fundo, então tem menos chance de sair rápido do que a mudança na faixa 4.
Quando as mudanças serão decididas?
Não há prazo oficial. A proposta foi entregue ao governo no fim de junho de 2026 e está sob análise da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades. A alteração da faixa 4 é apontada como a mais provável, por usar recursos do fundo social do pré-sal, sobre os quais o governo tem mais controle.
Vale a pena esperar as mudanças para comprar?
Depende da sua faixa. Quem se enquadra hoje nas faixas 1, 2 ou 3 já tem juros baixos e subsídios disponíveis, e esperar significa correr o risco de os imóveis subirem de preço (a proposta inclui justamente reajustar os tetos). Quem tem renda acima de R$ 13 mil é quem mais tem a ganhar acompanhando a decisão. Em qualquer caso, deixar a documentação e a simulação prontas custa nada e garante velocidade quando a regra mudar.
Fonte: reportagem de Circe Bonatelli, Broadcast/Estadão, 14/07/2026, com base na proposta encaminhada pelas construtoras ao Ministério das Cidades. Valores e condições atuais do MCMV conforme regras vigentes em julho de 2026.
