Sou o Marco Túlio, corretor em Uberlândia (parceiro da Torrano, CRECI/MG nº 7469). Saiu uma pesquisa que confirma uma coisa que eu sinto no dia a dia: a vontade de comprar imóvel está altíssima. O que muda de região para região é o que essa vontade consegue comprar. E aí a notícia fica interessante pra gente aqui.
Resumo rápido
- A intenção de compra de imóveis no Brasil chegou a 52%, maior nível da série histórica da Brain Consultoria, 9 pontos acima da média desde 2019.
- Isso mesmo com a Selic acima de 13% desde o início de 2025.
- No 1º semestre de 2026, 70% dos cerca de 160 mil financiamentos do SBPE foram para imóveis usados (Abecip).
- Falta imóvel novo na faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, justamente onde está a classe média.
- A faixa 4 do MCMV (renda até R$ 13 mil, imóvel até R$ 600 mil) deve ajudar, mas o efeito na oferta é lento.
O desejo está alto, a oferta é que não bate
A pesquisa da Brain mostra que 52% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel. É o maior patamar já medido, e vem num momento de juros altos, o que torna o número ainda mais significativo. Só que essa intenção não vira venda de imóvel novo com a mesma facilidade, principalmente para as famílias de renda média.
O motivo é bem prático. Quem está nessa faixa depende mais do financiamento a juros de mercado e precisa de uma entrada maior. Então a conta aperta, e o comprador vai para o mercado secundário.
Dos cerca de 160 mil financiamentos de aquisição concedidos a pessoas físicas pelo SBPE no primeiro semestre de 2026, 7 em cada 10 foram para imóveis usados, segundo a Abecip.
Em São Paulo o movimento é ainda mais claro: as vendas de usados cresceram 31% no acumulado até maio, segundo o Creci-SP, com março sendo o mês mais forte (alta de 50% sobre fevereiro) e concentração de negócios entre R$ 500 mil e R$ 800 mil.
Por que falta imóvel novo para a classe média
Existe um buraco na oferta. Especialistas apontam que faltam lançamentos entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Com terreno caro, insumo em alta e crédito apertado, fica mais atraente para a incorporadora tocar projeto de alto padrão. E o que sobra de acessível se concentra em estúdios e unidades pequenas.
Resultado: quem procura dois dormitórios e mais espaço encontra no usado uma metragem maior pelo mesmo preço de um novo menor. Some a isso um detalhe que muita gente esquece na hora de comparar: no imóvel na planta, você paga as parcelas da obra junto com o aluguel até receber a chave.
Em Uberlândia, a conta é outra
Aqui vem o ponto que eu queria destacar, porque a manchete nacional pode confundir quem está comprando na nossa cidade.
O aperto descrito na pesquisa é da faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, financiada a juros de mercado. Só que boa parte de quem me procura em Uberlândia está numa faixa completamente diferente, com juros subsidiados do Minha Casa Minha Vida e imóveis novos entre R$ 230 mil e R$ 300 mil. Nesse patamar, o novo não perde para o usado: ele ganha na maioria das contas.
- Juros do programa bem abaixo do mercado, o que reduz muito a parcela.
- Subsídio, quando você tem direito, que abate parte do valor.
- Entrada parcelada direto com a construtora, algo que o usado quase nunca oferece.
- Imóvel zero, sem reforma escondida e sem surpresa de manutenção nos primeiros anos.
- Documentação muitas vezes gratuita nos lançamentos.
Novo x usado em Uberlândia, lado a lado
| Apartamento novo (MCMV) | Apartamento usado | |
|---|---|---|
| Juros | Subsidiados, definidos pela faixa de renda | Podem ser do programa ou de mercado, conforme o valor |
| Entrada | Parcelada direto com a construtora, às vezes em até 72x | Normalmente à vista, com FGTS ou recursos próprios |
| Documentação | Muitas vezes gratuita no lançamento | Por conta do comprador (ITBI e registro) |
| Quando mora | Depois da obra, pagando parcela junto com o aluguel | Logo após a liberação do crédito |
| Manutenção | Imóvel zero, com garantia de construtora | Pode exigir reforma logo na entrada |
| Lazer | Condomínio clube costuma vir no pacote | Varia muito conforme a idade do prédio |
O ponto principal da tabela é a linha da entrada. É ela que faz muita gente em Uberlândia conseguir comprar o novo e não conseguir comprar o usado: no lançamento você entra com pouco e vai pagando, enquanto no usado precisa ter o dinheiro na mão. Por outro lado, quem precisa mudar já e tem entrada guardada leva vantagem no usado, porque não paga parcela e aluguel ao mesmo tempo.
Se você quer ver isso na prática, dá uma olhada nos empreendimentos que estão saindo agora na cidade, como o Matíz Residence, na zona norte, o Park Jardim do Sol, no Novo Mundo ou o Jardim Mansour, na zona oeste. E se quiser mapear tudo de uma vez, o guia de endereços dos empreendimentos de Uberlândia mostra onde fica cada um.
E a faixa 4?
A faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, criada em 2025, atende famílias com renda bruta de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil. É exatamente a tentativa de tapar esse buraco da classe média. O setor espera uso maior no segundo semestre, mas o efeito na oferta demora: um projeto imobiliário leva de cinco a sete anos entre a concepção e a entrega.
Enquanto isso, a queda dos recursos da poupança e o uso maior de instrumentos de mercado, como as LCIs, tendem a encarecer o funding dos bancos e manter a pressão sobre os preços. Traduzindo: esperar tem custo. Se quiser entender melhor as faixas, veja quanto é preciso ganhar para financiar e o guia completo do MCMV em Uberlândia.
Perguntas frequentes
Por que a classe média está comprando imóvel usado?
Porque a faixa de renda média está mais exposta ao custo do financiamento de mercado e precisa de entradas maiores. Além disso, falta oferta de imóvel novo entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão: com terrenos e insumos caros, as incorporadoras concentram lançamentos no alto padrão ou em unidades pequenas. O usado acaba entregando mais metragem pelo mesmo preço de um novo menor.
Quanto dos financiamentos foi para imóveis usados em 2026?
No primeiro semestre de 2026, 70% dos cerca de 160 mil financiamentos de aquisição concedidos a pessoas físicas pelo SBPE foram destinados a imóveis usados, segundo a Abecip. Em São Paulo, as vendas no mercado secundário cresceram 31% no acumulado até maio, com concentração na faixa de R$ 500 mil a R$ 800 mil.
Em Uberlândia também compensa mais comprar usado?
Depende muito da faixa de preço. O aperto relatado na pesquisa é da faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, financiada a juros de mercado. Em Uberlândia existe oferta relevante de imóvel novo dentro do Minha Casa Minha Vida, com juros subsidiados e valores bem abaixo disso, o que muda completamente a conta. Nessa faixa, o novo costuma competir de igual para igual com o usado, e às vezes ganha.
A faixa 4 do Minha Casa Minha Vida resolve a falta de imóvel para a classe média?
Ajuda, mas não de imediato. A faixa 4 atende famílias com renda bruta de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil. O setor espera maior uso no segundo semestre, porém o efeito sobre a oferta é lento: um projeto imobiliário costuma levar de cinco a sete anos entre a concepção e a entrega.
Informações apuradas a partir de reportagem do Estadão, replicada pelo portal Portas, em 3 de agosto de 2026, com dados da Brain Consultoria, Abecip e Creci-SP. Os dados citados são nacionais e de São Paulo; o mercado de Uberlândia tem dinâmica própria. Este conteúdo é informativo e não constitui oferta de crédito: o financiamento está sujeito à análise do banco.